Esse é um dos blogs mais importantes que escrevo. E agora, mais urgente do que nunca: na terça-feira, 26 de maio de 2026, a maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu após um procedimento estético com PMMA em São Paulo. Poucos dias antes, a repórter Ju Massaoka, do programa Mais Você, da Globo, contou em rede nacional que quase perdeu o nariz após descobrir que havia recebido PMMA sem consentimento em uma rinoplastia.
Dois casos. Poucos dias de diferença. Mesma substância. E uma lição urgente: o PMMA estético é um risco que não compensa.
Como dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, vou te explicar exatamente o que é o PMMA, o que está acontecendo, quais são os riscos reais e o que fazer (ou evitar) para se proteger.
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O que é PMMA e quais são os riscos?
O PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância plástica em forma de microesferas, originalmente aprovada apenas para corrigir deformidades faciais em pacientes com HIV (lipodistrofia), mas amplamente usada de forma irregular como preenchimento estético no Brasil. Por não ser absorvida pelo organismo, sua aplicação é praticamente irreversível e pode causar complicações graves: nódulos, granulomas, infecções, necrose, embolias, insuficiência renal e até mortes. Em 26/05/2026, uma maquiadora morreu em São Paulo menos de 24 horas após receber PMMA nos glúteos e coxas. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) desaconselham o uso estético do PMMA, e a Anvisa avalia banir a substância para fins estéticos.
O caso Roseli Fernandes: maquiadora morre em SP após PMMA
O caso mais recente — e talvez o mais simbólico do perigo do PMMA — aconteceu há poucas horas. A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu na manhã de terça-feira (26/5) após passar mal depois de um procedimento estético com aplicação de PMMA em São Paulo. Ela havia feito remodelação corporal nos glúteos e na parte posterior das coxas na segunda-feira (25), em uma sala comercial no Brooklin, zona sul da capital.
Segundo o boletim de ocorrência, a médica aplicou 120 ml da substância em cada um dos glúteos da mulher, mais 30 ml na parte posterior das coxas. Foram utilizadas cerca de 100 seringas de 3 ml para realizar o procedimento. A médica afirmou que aplicou PMMA em gel dentro das medidas máximas estipuladas pelo regulamento — Mas a substância usada no procedimento é contraindicada pelo Conselho Federal de Medicina. A polícia investiga o caso.
Roseli e a filha tinham viajado do Mato Grosso do Sul a São Paulo exclusivamente para fazer o procedimento. Ela já havia feito o mesmo tipo de aplicação dois anos antes com outro médico — o que mostra que o PMMA também se acumula a cada nova sessão.
O caso Ju Massaoka: PMMA sem consentimento na rinoplastia
Poucos dias antes, em 1º de maio de 2026, a repórter Ju Massaoka, do programa Mais Você (Globo), revelou em rede nacional algo que chocou o país. Ela quase sofreu necrose no nariz após descobrir que um médico aplicou PMMA, um preenchedor definitivo composto por microesferas de acrílico, durante uma cirurgia de rinoplastia realizada anos atrás. Ela não tinha conhecimento de que a substância havia sido utilizada.
Ju só descobriu o caso após realizar uma nova cirurgia, desta vez para corrigir o desvio de septo. O procedimento, que deveria ter sido simples, acabou sendo mais demorado porque foi necessário retirar o material e refazer parte do nariz com um osso retirado de uma de suas costelas.
Ao fim da cirurgia de correção, o nariz da repórter ficou roxo, quase azul. Os médicos identificaram risco alto de necrose. Massaoka afirmou que poderia ter ficado sem o nariz por conta do erro cometido no passado. Para reconstruir a região afetada, os médicos precisaram retirar material ósseo da costela e de músculos.
Para que o PMMA foi originalmente aprovado?
O uso aprovado pela Anvisa é muito restrito: correção de deformidades graves em pacientes com lipodistrofia por HIV e outras condições reparadoras específicas, principalmente causadas por sequelas de doenças como a poliomielite (paralisia infantil).
Não foi aprovado para fins estéticos — nem para aumento de glúteos, nem para peito, nem para rosto, nem para nada do que vem sendo vendido como “remodelação corporal” por aí.
Esse uso estético é considerado irregular e é desaconselhado por todas as principais sociedades médicas brasileiras.
Os riscos reais do PMMA
Uma revisão científica integrativa publicada na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica analisou 38 estudos e 587 casos de complicações com PMMA. Os achados são alinhados com o que estamos vendo nos noticiários.
Complicações locais
- Nódulos endurecidos meses ou anos depois da aplicação
- Granulomas (reações inflamatórias crônicas do organismo contra o material)
- Migração do produto para áreas vizinhas
- Infecções persistentes
- Necrose tecidual (morte do tecido)
- Deformidades irreversíveis do rosto, glúteos, peito, etc.
Complicações sistêmicas
- Embolias (obstrução de vasos quando o material é injetado em vaso)
- Hipercalcemia (aumento perigoso de cálcio no sangue)
- Insuficiência renal aguda e crônica
- Infecções generalizadas (sepse)
- Mortes documentadas na literatura médica e nos noticiários
Complicações imunológicas tardias
Por não ser absorvido, o PMMA pode disparar reações imunológicas anos depois da aplicação — quando muitas pacientes já se esqueceram que fizeram o procedimento.
A posição oficial de SBD, SBCP, CFM e Anvisa
Atualização 2026: O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu oficialmente o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) por médicos como substância de preenchimento estético ou reparador em todo o Brasil.
Esse é um dos raros temas em que todas as principais entidades médicas brasileiras estão alinhadas:
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) — reforça sua posição contrária ao uso estético do PMMA
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) — a representante da SBCP afirma que o PMMA traz vários prejuízos à saúde dos pacientes, incluindo a possibilidade de morte.
- Conselho Federal de Medicina (CFM) — proibiu oficialmente o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) por médicos como substância de preenchimento estético ou reparador
- Anvisa — está avaliando retirar o PMMA estético do mercado devido a complicações graves
Quando todos os órgãos médicos do país dizem a mesma coisa, vale ouvir.
Por que o PMMA virou tão popular?
Apesar dos riscos, o PMMA cresceu no Brasil por uma combinação de fatores:
- Resultado imediato e marcante (bumbum cresce, sulcos desaparecem)
- Custo mais baixo que cirurgia plástica ou bioestimuladores legítimos
- Promessas mirabolantes em redes sociais
- Aplicação por profissionais despreparados (muitas vezes em salas comerciais e não em clínicas médicas certificadas)
- Falta de informação sobre as complicações que aparecem anos depois
O “barato” inicial vira caro, irreversível e perigoso depois.
Alternativas seguras ao PMMA
A boa notícia: existem alternativas legítimas, aprovadas e seguras para todos os objetivos estéticos que o PMMA promete entregar. Em mãos médicas, com produtos originais e técnica adequada:
Para definir contorno e dar projeção (rosto e corpo)
- Ácido hialurônico (Restylane) — preenchedor reversível, com perfil de segurança consolidado mundialmente
Para estimular colágeno e firmeza
- Sculptra (ácido poli-L-láctico) — bioestimulador injetável que ensina a pele a produzir o próprio colágeno
- Radiesse (hidroxiapatita de cálcio) — bioestimulador com leve efeito de sustentação imediata
Para flacidez e lifting não cirúrgico
- Liftera 2 (ultrassom microfocado) — efeito lifting de verdade, sem agulhas
- CoolFase (radiofrequência coreana) — firmeza e densidade da pele
Para aumento corporal (glúteos, peito)
- Cirurgia plástica com prótese ou enxerto de gordura (lipoenxertia) feita por cirurgião plástico — única alternativa segura para aumento real de volume corporal
- Ácido hialurônico (Restylane Shape) — preenchedor reversível, com perfil de segurança consolidado mundialmente
Todos esses produtos e técnicas são absorvíveis ou bioestimuladores legítimos, com perfil de segurança estabelecido por anos de uso global, validação científica e respaldo das principais sociedades médicas.
Conclusão
A morte da maquiadora Roseli Fernandes em 26 de maio de 2026 e o caso Ju Massaoka mostram, na vida real, o que a literatura científica vem dizendo há anos: o PMMA estético é um risco que não compensa.
Nenhum resultado estético vale uma necrose, uma deformidade permanente ou uma vida. Existe um motivo para todas as principais entidades médicas do Brasil desaconselharem o PMMA para fins estéticos — e esse motivo é a segurança da paciente.
Se você está sendo abordada para fazer PMMA, recuse. Se já fez, acompanhe com um médico. Se está pensando em melhorar contorno, volume, firmeza ou qualidade da pele, existem alternativas seguras, modernas e eficazes — todas dentro de um protocolo personalizado, em mãos médicas e com produtos legítimos.
Dra. Renata Ralha é dermatologista clínica, estética e capilar, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), com formação completa em Dermatologia e Cirurgia Dermatológica. Atua no Rio de Janeiro com foco em rejuvenescimento natural e protocolos personalizados, sempre com produtos legítimos e em conformidade com as diretrizes das principais sociedades médicas brasileiras. CRM 52-84102-1 RJ | RQE 28115.
Dra. Renata Ralha Dermatologista Clínica, Estética e Capilar , CRM: 52-84102-1 RJ, RQE N°: 28115
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