Outubro Rosa chega e, com ele, muita conversa sobre prevenção e mamografia. Eu quero falar também de outra parte da história: a das mulheres que já estão em tratamento, e das filhas, irmãs e amigas que acompanham cada sessão. No consultório, muitas me contam que ninguém avisou que a pele ia mudar tanto. Ela resseca de um jeito novo, as unhas escurecem, a mama irradiada fica vermelha e dolorida, e bate a dúvida: “isso é normal ou devo me preocupar?”
Este texto não é sobre estética. É sobre conforto, proteção e informação clara para atravessar a quimioterapia e a radioterapia com menos sofrimento na pele. Tudo aqui complementa, e nunca substitui, as orientações da sua equipe de oncologia. Se a equipe orientou diferente, siga a equipe.
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Dermatologista no Nova América
Resposta rápida: Na quimioterapia, a pele tende a ficar seca, sensível ao sol e com manchas. Na radioterapia, a área tratada pode avermelhar e descamar, a chamada radiodermite. Os cuidados básicos são lavar com água morna e sabonete suave, hidratar com produto sem perfume conforme orientação da equipe, evitar sol e atrito e avisar a oncologia se surgirem bolhas, feridas ou febre.
Por que a pele muda durante o tratamento do câncer?
A quimioterapia age sobre células que se multiplicam rápido. As células do tumor estão nesse grupo, mas as da pele, do cabelo, das unhas e da boca também. Por isso esses tecidos sentem tanto. As terapias-alvo e a imunoterapia têm efeitos próprios na pele, diferentes da quimioterapia clássica.
A radioterapia é diferente: o efeito é local, só na área que recebe a radiação. No câncer de mama, isso inclui a mama ou o tórax e, às vezes, a axila e a região acima da clavícula.
Cuidados com a pele na quimioterapia: o que costuma aparecer
Pele ressecada e coceira
É a queixa mais comum. A pele fica áspera, repuxa e coça. A AAD: 7 ways cancer treatments affect your skin recomenda produtos sem perfume, próprios para pele sensível, e hidratação diária. Eu acrescento: banho morno e curto, sabonete suave e hidratante logo depois, com a pele ainda úmida.
Manchas na pele e pele escura na quimioterapia
Alguns quimioterápicos escurecem a pele, principalmente nas dobras das articulações, nas unhas e no trajeto das veias, como descreve o INCA: Quimioterapia. Assusta, mas a AAD lembra que a maior parte dessas manchas clareia aos poucos depois que o tratamento termina. Durante a quimioterapia, não é hora de clareadores nem ácidos. É hora de proteger do sol.
Sensibilidade ao sol
Vários medicamentos deixam a pele mais sensível à luz, com queimaduras e manchas mais fáceis. O INCA orienta protetor solar com FPS 30 ou mais, evitar o sol entre 10h e 16h e usar chapéu ou boné. No Rio, eu reforço: sombra, roupa com proteção e reaplicação.
Síndrome mão-pé
Alguns quimioterápicos causam vermelhidão, inchaço, dor e às vezes bolhas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Avise a equipe logo no início, porque ajustes precoces ajudam. Em casa, evite água quente, atrito, sapatos apertados e longas caminhadas nos dias de crise, e mantenha mãos e pés hidratados.
Alterações nas unhas
As unhas podem ficar frágeis, escuras, com linhas ou até descolar. Mantenha-as curtas, use luvas para lavar louça e limpar a casa e evite tirar a cutícula: qualquer ferida vira porta de entrada para infecção quando a imunidade está baixa.
Erupção parecida com acne nas terapias-alvo
Algumas terapias-alvo provocam bolinhas no rosto, no couro cabeludo e no tronco que parecem espinhas, mas não são acne. A AAD: Relief for skin reactions from targeted cancer therapy é clara: não use produtos para acne por conta própria, porque irritam demais. Hidrate com cuidado e fale com a oncologia cedo, porque há tratamento e ele funciona melhor no começo.
Queda de cabelo e couro cabeludo
Segundo o INCA, a queda costuma começar de 14 a 21 dias após o início da quimioterapia e é temporária. Alguns centros oferecem a resfriação do couro cabeludo, que pode reduzir a queda com certos esquemas; vale perguntar à sua equipe se é uma opção para você. Enquanto isso, xampu suave, nada de química e proteção solar no couro cabeludo com chapéu ou lenço. Quando o cabelo voltar, se vier fraco ou ralo, falo sobre isso no texto sobre queda de cabelo feminina, causas e tratamentos.
Radiodermite: o que acontece com a pele na radioterapia da mama
Radiodermite é a reação da pele à radiação. Costuma aparecer depois das primeiras semanas, pode piorar até o fim das sessões e, segundo o INCA: Radioterapia, melhora em um a dois meses após o término. Na radiodermite da mama, as áreas que mais sofrem são as dobras: embaixo da mama e perto da axila.
Os graus, em linguagem simples
- Grau 1: vermelhidão leve, pele seca, descamação fininha e coceira.
- Grau 2: vermelhidão mais forte, dor e áreas em que a pele se solta e mina líquido, geralmente nas dobras.
- Grau 3: essas áreas úmidas se espalham para fora das dobras e podem sangrar com pequenos atritos.
- Grau 4: raro. Feridas profundas que precisam de atendimento imediato.
Cuidados com a pele durante a radioterapia
As recomendações abaixo seguem o INCA e as orientações práticas do ESTRO RTT Committee: Practical recommendations for the management of radiodermatitis (2025), alinhadas às diretrizes da MASCC sobre radiodermite aguda (2023):
- Pode e deve lavar: banho diário com água morna e sabonete suave, sem perfume. Deixe a água escorrer, sem jato forte, e seque com toques leves.
- Desodorante pode ser usado enquanto a pele estiver íntegra. A proibição antiga não se confirmou nos estudos. Se houver ferida aberta, suspenda.
- Hidratante: sem perfume, no tipo e no horário que o seu serviço orientar. Não há um produto que as pesquisas apontem como superior aos outros.
- Sutiã de algodão, sem aro, e roupas folgadas. O INCA sugere ficar sem sutiã quando possível.
- Sem sol, piscina e mar na área tratada.
- Sem cera e sem lâmina na axila do lado tratado. Se precisar, pergunte à equipe sobre barbeador elétrico.
- Nada de bolsa quente, gelo, esparadrapo ou curativo adesivo comum sobre a pele irradiada.
A MASCC recomenda algumas medidas específicas para quem faz radioterapia da mama, como cremes de corticoide, filmes de silicone e fotobiomodulação. Quem decide se e quando usar é a sua equipe.
O que evitar durante a quimioterapia e a radioterapia
- Perfumes, álcool, ácidos, esfoliantes e buchas.
- Receitas caseiras e produtos da moda. Muitos, como a babosa, não têm evidência suficiente para serem recomendados.
- Pomadas com antibiótico ou corticoide por conta própria.
- Procedimentos estéticos, depilação a laser, micropigmentação e manicure com retirada de cutícula.
Quando avisar a equipe de oncologia e procurar o dermatologista
Avise a equipe sem esperar a próxima consulta se tiver:
- Febre de 37,8 °C ou mais, como orienta o INCA.
- Bolhas, feridas abertas, pele minando líquido ou sangrando.
- Vermelhidão que se espalha, calor, pus ou mau cheiro.
- Dor que atrapalha dormir, se vestir ou andar.
- Erupção espalhada pelo corpo, principalmente com febre ou feridas na boca.
- Unha com pus ou dor forte ao redor.
O dermatologista pode ajudar em conjunto com a oncologia no manejo da erupção das terapias-alvo, da síndrome mão-pé, das unhas e do couro cabeludo.
Pele após a radioterapia da mama e depois do tratamento
Depois que a fase aguda passa, a pele irradiada pode continuar mais seca, um pouco mais escura ou mais firme, às vezes com vasinhos finos. Isso pode durar. A orientação da ESTRO é proteger essa área do sol com FPS 50 ou mais de forma contínua. E como quem passou por tratamento oncológico também precisa cuidar da saúde da pele, mantenha o exame anual das pintas, tema que explico no texto sobre o Dezembro Laranja e o câncer de pele.
E os cuidados estéticos? Eles podem, sim, fazer parte da retomada da autoestima, mas só depois que a oncologia liberar. Cada caso tem seu tempo: há quem siga com hormonioterapia por anos, e a pele irradiada cicatriza de outro jeito. Eu sempre começo pelo básico e converso com o oncologista antes de qualquer procedimento.
Se você está em tratamento, terminou há pouco ou acompanha alguém nessa travessia, uma avaliação dermatológica feita em conjunto com a equipe de oncologia pode trazer mais conforto para a pele. Estou aqui para isso.
Perguntas frequentes
Posso usar desodorante durante a radioterapia?
Na maioria dos casos, sim, enquanto a pele estiver íntegra. Os estudos não confirmaram que o desodorante piore a radiodermite. Se houver ferida aberta, suspenda e avise a equipe.
Qual hidratante usar na pele durante a radioterapia?
Um hidratante simples e sem perfume, no horário que o seu serviço orientar. Nenhum produto se mostrou superior nas pesquisas, então a orientação da equipe vem primeiro.
A pele escura da quimioterapia volta ao normal?
Na maioria das vezes, sim. As manchas causadas pela quimioterapia costumam clarear aos poucos nos meses seguintes ao fim do tratamento. Protetor solar ajuda nesse processo.
Posso tomar sol durante a quimioterapia?
O ideal é evitar. Muitos medicamentos aumentam a sensibilidade ao sol. Use protetor com FPS 30 ou mais, chapéu e evite o sol entre 10h e 16h.
Quando posso fazer procedimentos estéticos depois do câncer de mama?
Só depois que a oncologia liberar. O tempo varia de pessoa para pessoa, e a pele que recebeu radiação exige cuidado extra. O dermatologista planeja em conjunto com o oncologista.
Quem escreve este conteúdo
Dra. Renata Ralha é médica dermatologista com Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), CRM 52-84102-1 RJ e RQE 28115. É formada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Dermatologia pela Fundação Souza Marques e em Cirurgia Dermatológica pelo Hospital da Gamboa. Atende na Clínica Renata Ralha, no Nova America Offices, em Del Castilho, no Rio de Janeiro.
Fontes e referências
- INCA: Quimioterapia
- INCA: Radioterapia
- MASCC: Guidelines (Prevention and management of acute radiation dermatitis, 2023)
- Radiation Oncology: Practical recommendations for the management of radiodermatitis (ESTRO RTT, 2025)
- AAD: 7 ways cancer treatments affect your skin
- AAD: Relief for skin reactions from targeted cancer therapy
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Procedimentos estéticos, injetáveis e tecnologias possuem indicações, contraindicações e riscos, e devem ser avaliados individualmente por médico habilitado. Resultados variam conforme as características de cada paciente.
A avaliação médica é essencial para compreender as queixas do paciente, identificar problemas dermatológicos e considerar suas características individuais, como anatomia, tipo de pele e reações a substâncias utilizadas. Com base nisso, é possível determinar as técnicas adequadas para valorizar naturalmente as características do rosto, pele e corpo.
A escolha de um Dermatologista é crucial para realizar uma análise minuciosa das regiões em desarmonia no paciente e determinar as técnicas necessárias, seja aumentando o volume, corrigindo ângulos ou simetria. Com um plano de tratamento personalizado e exclusivo, é possível atender às necessidades específicas de cada paciente respeitando seus limites.
Dra. Renata Ralha Dermatologista Clínica, Estética e Capilar , CRM: 52-84102-1 RJ, RQE N°: 28115
A avaliação médica é essencial para compreender as queixas do paciente, identificar problemas dermatológicos e considerar suas características individuais, como anatomia, tipo de pele e reações a substâncias utilizadas. Com base nisso, é possível determinar as técnicas adequadas para valorizar naturalmente as características do rosto, pele e corpo.
A escolha de um Dermatologista é crucial para realizar uma análise minuciosa das regiões em desarmonia no paciente e determinar as técnicas necessárias, seja aumentando o volume, corrigindo ângulos ou simetria. Com um plano de tratamento personalizado e exclusivo, é possível atender às necessidades específicas de cada paciente respeitando seus limites.
Dra. Renata Ralha Dermatologista Clínica, Estética e Capilar , CRM: 52-84102-1 RJ, RQE N°: 28115
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